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Cartas dos Bispos aos Catequistas (de 2016 a 2026)

2026

 

Porto Alegre, 15 de março de 2026

 

 

Caros catequistas,

 

A Paz do Senhor!

 

Estamos iniciando as atividades catequéticas para o ano de 2026. Desejo, de coração, reconhecer e agradecer a dedicação e o empenho de cada um dos senhores e senhoras que se dedicam, em nossas comunidades, à transmissão da fé às novas gerações. Todos os dias rezo por cada um de vocês!

 

Desejo, neste início das atividades, recordar alguns aspectos que considero importante ter bem presente no acompanhamento de nossas crianças, jovens e adultos que se dispõem a vivenciar o itinerário catequético, de forma dinâmica e comunitária, proposto pela Arquidiocese.

 

‘Este é o caminho, avancem!’ Foram estas as palavras do Papa Francisco quando lhe foi dito da implantação do processo de iniciação à vida cristã na Arquidiocese. Subjaz a tal processo a expressão de Jesus a quem se dispunha conhecê-lo: “segue-me”! Tendo bem presente tal expressão, podemos compreender o porquê das exigências e a dinâmica deste caminho, pois Jesus não busca formar adeptos, mas orientar discípulos! Ou seja, pessoas que, no cotidiano, lá onde se encontram, se empenham em integrar fé e vida!

 

Recordemos que, quando nos evangelhos, Jesus convida alguém para segui-Lo, ele nunca pergunta previamente: ‘acreditas em mim?’ Jesus simplesmente vai ao essencial: “segue-me”; termo este que ocorre 11 vezes nos evangelhos! O convite de Jesus ao seguimento foi o ponto de partida da Igreja nascente – e do projeto de vida que Jesus inaugurou. Importa sempre ter consciente que mais premente e decisivo é o seguimento de Jesus, segundo a proposta e a exigência do Evangelho. Isto é tudo! Jesus chama ao seu seguimento sem apresentar um porquê e um para quê, sem explicar o programa de vida, sem dizer nenhuma palavra sobre o ideal de vida aos que recebem o chamado. É que somente seguindo a Jesus os batizados sabem a quem se confiaram e quem é capaz de “palavras de vida eterna” (Jo 6,68), ou seja, de salvação. Somente seguindo a Jesus a pessoa é capacitada para saber e experimentar o que Jesus representa na sua vida, e o que Ele lhe revela.

Nós só amamos quem conhecemos! Se não conhecemos Jesus, como podemos amá-lo? Ora, o caminho para conhecer Jesus passa pelo conhecimento, aprofundamento e intimidade com o Evangelho. Por isso, o processo catequético de iniciação à vida cristã adotado pela Arquidiocese, insiste na centralidade da Palavra de Deus, pois quem quer conhecer o Senhor, deve necessariamente confiar na sua Palavra, colocando-se na sua escuta de forma humilde e perseverante, e permitindo que ela ilumine as próprias opções, escolhas e decisões.

 

A escuta fiel, atenta, inteligente, humilde e orante daquilo que Jesus diz é o caminho para saciar a sede de amor, de amizade, de intimidade que trazemos dentro de nós. Aprender a escutar a voz do Senhor – Ele “que passou por entre nós fazendo o bem” (At 10,38), e que “fazia bem todas as coisas” (Mc 7, 37)! – é aprender a deixar-se amar e a amar.

 

Iniciemos na fé, com boa disposição, o ano catequético de 2026! Conscientes de que “Ele, o Senhor, veio morar entre nós” (Jo 1,14) para participar da nossa história e nós de sua vida, nos empenhamos no cultivo de uma relação pessoal e comunitária com Ele, por meio da oração pessoal, a leitura e meditação dos Santos Evangelhos e da participação ativa na vida de fé da comunidade. Por quê? Porque Ele, Jesus de Nazaré, oferece sentido e direção para a nossa existência.

 

A Mãe de Deus, padroeira de nossa Arquidiocese, foi a primeira catequista. Que ela interceda por todos que se dedicam a iniciar outros nos caminhos do seguimento de seu Filho Amado. Que o Senhor mesmo recompense a cada um não com o dobro, mas com a medida do Evangelho: cem vezes mais (cf. Mc 10,30)!

2025

 

Porto Alegre, 16 de março de 2025.


Caros(as) catequistas,


O Ano Jubilar representa um forte convite a aprofundar o encontro vivo e pessoal com o Senhor Jesus, “porta” de salvação (Jo 10,7.9). É a Ele que a Igreja tem por missão sempre e de novo, isto é, sempre e de forma nova, anunciar, em toda parte e a todos, como sendo a “nossa esperança” (1Tm 1,1).


“A Igreja existe para testemunhar ao mundo o acontecimento decisivo da história: a Ressurreição de Jesus. O Ressuscitado traz a paz ao mundo e nos dá o dom do seu Espírito. Cristo vivo é a fonte da verdadeira liberdade, o fundamento da esperança que não engana, a revelação do verdadeiro rosto de Deus e o destino último do ser humano. (...) A Iniciação Cristã é o itinerário pelo qual o Senhor, mediante o ministério da Igreja e o dom do Espírito, nos introduz na fé pascal e nos insere na comunhão trinitária e eclesial. (...) A iniciação nos põe em contato com uma grande variedade de vocações e de ministérios eclesiais. Neles se exprime o rosto misericordioso de uma Igreja que ensina os seus filhos a caminhar, caminhando com eles”
(Papa Francisco. Doc. Final do Sínodo 2023-4, n. 14.24).


Ao longo da história da Igreja uma miríade de homens e mulheres se tornaram, não só com a própria vida, testemunhas do Crucificado-ressuscitado, como também se empenharam na transmissão da fé que um dia lhes concedeu um horizonte de vida e de esperança. Também, hoje, o Espírito continua chamando homens
e mulheres para irem ao encontro de tantas pessoas – crianças, jovens e adultos – que esperam conhecer a beleza, a bondade e a verdade da fé cristã.


A esperança cristã é algo que não podemos guardar para nós mesmos. A esperança nos convida a olhar para longe, olhar para o futuro, ir ao encontro daqueles que não a conhecem. Isto, por vezes, também requer manter-se parado para escutar, ouvir, farejar a fim de encontrar orientação, direção. Importante recordar que esperança não vira as costas para as negatividades da vida. Ela representa uma íntima oração da alma. Ela é o fermento do novo. Somente na esperança de um mundo diferente e melhor se forma um potencial de transformação. Os jovens, os adultos, os adolescentes e especialmente as crianças são sinal eloquente de esperança para todos. Cada vida humana que nasce e se desenvolve é motivo de esperança e alegria. Por isso, na Noite de Natal a comunidade reza e canta “Uma criança nasceu para nós”.


Queridas(os) catequistas, a esperança cristã não engana nem desilude, porque está fundada na certeza de que nada e ninguém poderá jamais nos separar do amor divino. Jesus mesmo prometeu estar entre nós até o fim dos tempos (Mt 28,20)! Esta esperança funda-se na fé e é alimentada pela caridade, permitindo assim
avançar na vida.


Cooperar para iniciar alguém na vida cristã faz parte de um itinerário extraordinário para que crianças, jovens e adultos avancem na vida sem medo e sem se deixar levar por expressões de otimismo mundano, que não respondem e nem correspondem às necessidades do íntimo mais íntimo do ser humano. Jesus Cristo é nossa esperança! E “a esperança não decepciona” (Rm 5,5).


Somos “Peregrinos de Esperança”! Que a Mãe de Deus, padroeira de nossa Arquidiocese, interceda em favor de todas as pessoas empenhadas neste belo processo de iniciação à vida cristã inaugurado entre nós há quase uma década, para que sejam abençoadas e recompensadas com a medida do próprio Evangelho: “cem vezes mais” (Mc 10,30).

2024

 

Porto Alegre, 17 de março de 2024
5º domingo da Quaresma

Ide, pois, e fazei discípulos...” (Mt 28,19)

Caros(as) catequistas,


“Ide, pois, e fazei discípulos...” (Mt 28,19), diz Jesus aos onze discípulos após Sua paixão, morte e ressurreição. Concluída Sua missão, aqueles que o escutaram começam o seu caminho! Os onze permanecem sempre 'discípulos' que aprendem! Eles não são 'mestres', pois “um só é o vosso Mestre” (Mt 23,8). Eles são ouvintes da sabedoria do Filho amado, escondida aos sábios, entendida e revelada aos pequeninos (Mt 11,25). São onze, não doze; falta um. A comunidade é estruturalmente imperfeita: a fraqueza, a fragilidade, o pecado e a traição estão sempre presentes, também em quem escuta a Palavra, por isso o mandamento de observar tudo o que Jesus mandou (Mt 28,20).


  Os(as) catequistas participam da missão dos sucessores dos apóstolos, e a missão consiste em tornar todos os homens e todas as mulheres discípulos(as) do único Mestre (Mt 23,28), em comunicar a todos(as) o mesmo poder que Jesus comunicou aos seus discípulos da primeira hora: escutar e praticar a Palavra, para tornar-se um povo que produz frutos do Reino (Mt 21,43).


 O Espírito do Senhor continua chamando homens e mulheres para irem ao encontro de tantas pessoas, especialmente jovens, que desejam e esperam conhecer a beleza, a bondade e a verdade da fé cristã. Agradecemos, reconhecemos e promovemos a disposição, a colaboração de leigos e leigas que, em virtude do seu Batismo, sentem-se chamados(as) a colaborar no serviço da catequese.


 Já se passaram alguns anos desde que a Arquidiocese decidiu assumir o processo de catequese de inspiração catecumenal. Foram realizados vários passos; houve avanços! Contudo, precisamos reconhecer que ainda há, entre nós, clero e leigos(as), resistências a esta metodologia. Vivemos uma mudança de época que exige ardor, expressão e método adequados para fazer frente aos desafios que se impõem à obra da evangelização. Por isso, não podemos, de forma alguma, voltar atrás no caminho empreendido. Certamente, fazem-se necessárias adaptações diante de algumas realidades particulares. Porém, a metodologia que orienta o processo de Iniciação à Vida Cristã não é opcional. 


“Ser” catequista é uma vocação de serviço na Igreja. Ela foi recebida como dom do Senhor para ser transmitido aos demais. Por isso, o(a) catequista deve, constantemente, regressar àquele primeiro anúncio ou “kerygma”, que é o dom que transformou a própria vida. No exercício deste ministério importante é fundamental ter presente o estilo de Jesus, que se adaptava às pessoas que tinha à sua frente. É preciso saber mudar, adaptar-se, para que a mensagem seja mais próxima, mesmo quando é sempre a mesma, porque Deus não muda, mas renova todas as coisas Nele.


Ser catequista envolve a vida. “Conduz-se ao encontro com Jesus com as palavras e com a vida, com o testemunho. E 'ser' catequistas requer amor, amor sempre mais forte por Cristo, amor pelo seu povo santo. E este amor, necessariamente, parte de Cristo”. (Papa Francisco)


Queridos(as) catequistas! Não nos deixemos abater pelos desafios que se apresentam. Avancemos com coragem e determinação! Cooperar para que crianças, jovens e adultos possam, a partir do encontro com Jesus, descobrir a alegria do Evangelho, capaz de encher o coração e a vida, é uma graça!


Avancemos! Não nos deixemos influenciar por quem não se dispõe a colaborar na formação de discípulos(as). Não esqueçamos que o(a) discípulo(a) de Cristo permanece no Seu no amor. Se o(a) discípulo(a) permanece unido(a) a Ele, pode dar frutos! Afastemo-nos de saudosismos de um passado que não mais existe, ou que busca adeptos. Rezemos uns pelos outros. Participamos todos da mesma missão: Evangelizar!


Interceda por nós a Mãe de Deus, primeira catequista e padroeira de nossa Arquidiocese.

2023

 

Porto Alegre, 5º domingo da Quaresma de 2023.

 

Queridas(os) catequistas,

 

Após a crise do COVID-19, somos instigados(as) a retomar nossa vida de comunidade com ânimo renovado. A pandemia transformou a vida e as relações entre todos nós. 
 

Somos mulheres e homens do espírito, cremos! E crer, segundo a fé cristã que nos une e sustenta, significa ter ouvidos para ouvir o Senhor, pés para segui-Lo, olhos para vê-Lo, mãos para tocá-Lo e, sobretudo, coração para amá-Lo. É esta convicção de fé que nos anima a ir ao encontro de crianças, jovens e adultos para anunciar e testemunhar o Evangelho do Crucificado-Ressuscitado. 
 

Todos(as) somos discípulos e discípulas do Senhor! Ser catequista é vocação! Implica exercer um ministério em nome do Bispo, em favor da comunidade de fé. Expressa-se, assim, a importância do espírito de comunhão no seio da Arquidiocese. Espírito, este, que o Papa Francisco deseja promover ainda mais no seio de toda a Igreja, por meio do processo sinodal.
 

Há oito (08) anos assumimos o processo de Iniciação à Vida Cristã, como resposta da Arquidiocese aos desafios do tempo presente. Foram dados passos importantes. Certamente, ainda precisamos avançar e aperfeiçoar práticas! A pandemia do COVID-19 nos obrigou a buscar alternativas ao modo como vínhamos desenvolvendo o processo. Temos ciência que o novo tempo nos desafia! Não se trata de simplesmente retomar as atividades! Importante é compreender que vivemos uma realidade pós-pandemia que requer, ainda, mais perspicácia, dedicação, cooperação, atenção na transmissão da fé. 
 

Certamente o objetivo de nossa missão é preparar para os Sacramentos quem chega até nós. Objetivo maior, porém, é oferecer condições para uma experiência de encontro com a pessoa de Jesus Cristo e, assim, “fazer discípulos” (Mt 28,19). Discípulos(as) são todos(as) aqueles(as) que estão sustentados(as) por uma experiência de fé, e não simplesmente por uma prática religiosa. Discípulos(as) sabem-se “sal da terra e luz do mundo”(Mt 5, 13-14), fermento na massa (cf. Gl 5,9; Lc 13,21). Discípulos(as) de Jesus cultivam a solidariedade, a caridade, cuidam e promovem a vida, e vida em abundância para todos(as) (cf. Jo 10,10). Discípulos(as)  reconhecem-se membros da comunidade de fé; sentem-se corresponsáveis pela vida da comunidade; engajam-se na comunidade!
 

Gratidão a todos(as) os(as) nossos(as) catequistas! São jovens, mulheres e homens que promovem o Reino de Deus e a sua justiça (Mt 6,33), que se reconhecem vocacionados(as) e, por isso, missionários(as)! 
Gratidão às diversas instâncias de coordenação do processo de Iniciação à Vida Cristã. Instâncias, estas, necessárias para que a unidade possa ser promovida e garantida. 


O Senhor a todos(as) abençoe e recompense com a medida do próprio Evangelho: “cem vezes mais” (Mc 10,30).
 

Que Nossa Senhora interceda por todos(as)!

2022

Porto Alegre, 3º domingo da Quaresma de 2022


Queridas(os) catequistas,


A Paz do Senhor!
 

A pandemia escancarou nossa vulnerabilidade, despertou a força de cooperação e mostrou a importância de
fazer bem o que está ao nosso alcance. Durante estes dois últimos anos, buscamos com ousadia místico-profética encontrar novos e adequados meios para continuar desenvolvendo a missão de transmitir a fé às novas gerações.


A dedicação e a criatividade foram imprescindíveis! Com os necessários cuidados estamos retornando às
atividades na forma presencial. Também agora, este Antiquíssimo Ministério de Catequista, com ousadia e alegria, neste novo tempo que estamos vivendo, necessita encontrar meios apropriados para continuar cooperando no trabalho de tornar outros conhecedores e participantes da vida do Evangelho, “da solidez da doutrina recebida” (At 1,4).


No processo de Iniciação à Vida Cristã foram dados passos importantes. Contudo, ainda precisamos avançar! Não faltam resistências! Também não falta quem imagina ser importante o evento, ou seja, o dia daquilo que se cunhou denominar do Batismo, da Primeira Comunhão ou da Crisma. Certamente a celebração festiva é importante! Mais importante, porém, é a compreensão do que significa ser discípulo (a) de Jesus Cristo, participar ativamente da vida da comunidade, empenhados (as) em crescer na unidade da fé, no conhecimento do Filho de Deus, e ao estado de adultos, à estatura do Cristo em sua plenitude (Ef 4, 13)


Para a transmissão e aprofundamento da fé os catequistas são imprescindíveis. É uma missão que exige atualização, aprimoramento e capacitação constante; requer oração, intimidade com a Palavra, zelo apostólico e disposição para caminhar seguindo as orientações comuns da Igreja no Brasil e da Arquidiocese. O catequista é testemunha da fé e guardião da memória de Deus, é mestre e Mistagogo, acompanhador e educador daqueles que lhes foram confiados pela Igreja, é também um especialista em humanidade (Papa
Francisco, Diretório para a Catequese, n.113).

 

Cada período da história possui exigências características. A fé, como base sólida e sustentáculo para a existência pessoal de cada ser humano, é vivida no tempo. Por isso, se faz necessário compreender o tempo presente com suas oportunidades, desafios e possibilidades, para poder ir ao encontro dos que querem, desejam e esperam conhecer a beleza, a bondade e a verdade da fé cristã.
 

Gratidão e reconhecimento pela dedicação e preciosa colaboração das senhoras e dos senhores na irradiação do Evangelho, o qual enche de alegria o coração e a vida daqueles que se encontram com Jesus. Quando Jesus encontra lugar em nossa vida, e quando podemos fazer outros participantes de tal experiência, renasce sem cessar a alegria.


Gratidão pelo empenho em nível paroquial, de vicariatos e na Arquidiocese, dos coordenadores da Iniciação à Vida Cristã, dos presbíteros referenciais, das religiosas que abraçaram com determinação este caminho. A paixão pela causa do Evangelho e da evangelização nos anima e impulsiona a avançar sempre mais para águas mais profundas (Lc 5,4). O Senhor Crucificado-Ressuscitado faz grandes coisas (Lc 1,49) onde há abertura de coração e disposição para acolher a Boa Nova da salvação.

 
A todos que colaboram para que o Evangelho sejaanunciado, a vida comunitária fomentada, o senso de pertença e de corresponsabilidade promovidos, invocamos, por intercessão de Nossa Senhora, a benção de Deus: + o Pai + o Filho e + o Espírito Santo!

2021

“Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus” (Mc 15,39)


Caros catequistas,


A expressão daquele homem que não fazia parte do povo eleito – um pagão, um soldado romano – aos pés da cruz reconhecendo no crucificado o Filho de Deus é para nós inspiradora. Contemplando o Crucificado, os olhos daquele homem se abrem, ele vê a luz e reconhece a realidade! Reconhecer e “ver o Senhor é vir à luz: de fato, a vida do ser humano é a visão de Deus” (S. Irineu).

O ano de 2020 foi marcado pela irrupção de uma noite escura sobre toda a humanidade. De repente nos vimos ameaçados por um vírus ágil e perigoso, que colocou em crise a nós e nossa ação evangelizadora.

A crise continua afetando a todos, provocando medo, angústia, incertezas e desequilíbrios. Se por um lado ela traz dificuldades objetivas a catequistas e párocos (reunir com segurança os catequizandos, celebrar os ritos de entregas na comunidade que celebra presencialmente a fé, carência de recursos técnicos para continuar atendendo à distância os catequizandos), por outro lado impulsiona a construir com ousadia e criatividade novas oportunidades. Não faltaram e não faltam exemplos de ousadia e criatividade!

A pergunta que, talvez, muitos se fazem é: Para onde vamos? É possível, é recomendável dar continuidade ao processo da Iniciação à Vida Cristã em nossas comunidades nestes tempos de pandemia? Tais perguntas tem, sim, sua importância. Devemos reconhecer que estamos vivendo uma experiência incômoda e, por vezes, dolorosa. Contudo, somos vigorosamente chamados a entender que a comunidade de fé é constituída de muitas comunidades familiares.  Está sendo, pois, oferecida a nós, uma oportunidade característica para resgatar também da família, igreja doméstica, a responsabilidade primeira no processo educativo da fé.

Merece reconhecimento, gratidão e destaque a dedicação e o empenho de tantos catequistas e familiares em acompanhar os que se dispõem a prosseguir o caminho do processo de Iniciação à Vida Cristã. Neste sentido, vale destacar que não nos é permitido impedir a ação do Espírito de Deus. É preciso favorecer, criar oportunidades para avançar no itinerário catequético inaugurado com a disposição, o entusiasmo e o empenho de muitos.

Possíveis resistências ao processo iniciado há cinco anos expressam resistência pessoal à ação do Espírito, além de condenação a ficar sós e estéreis, obstaculizando assim a obra da graça de Deus.

Ergamos o nosso olhar! Não tenhamos medo da crise! Acolhamos os sinais do tempo presente; eles requerem de nós coragem e inteligência para desenvolver os instrumentos adequados para prosseguir anunciando a riqueza e a alegria do Evangelho, e de pertencer à comunidade de fé – a Igreja!

Este é um tempo de graça que nos é oferecido para compreender a vontade de Deus para todo ser humano. Pode parecer difícil se inserir ‘na lógica, aparentemente contraditória, de que, quando sou fraco, então é que sou forte (2cor 12,10)”. Não esqueçamos: Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados acima de vossas forças, mas, com a tentação, vos dará os meios de sair dela e a força para suportar (1Cor 10,13)’ (Papa Francisco).

Os desafios do tempo presente pedem de nós oração, escuta e contemplação. Rezar significa cultivar o diálogo com o Senhor, mesmo que seja cansativo. No cultivo da intimidade com o Senhor por meio da escuta e meditação de sua Palavra, haveremos de encontrar indicações viáveis e seguras para avançarmos para ‘águas mais profundas’ (Lc 5,4). É o próprio Filho de Deus que nos exorta a avançar.

Avancemos! Não nos deixemos influenciar por saudosistas de um passado que não mais existe. Rezemos uns pelos outros. Participamos todos da mesma missão: Evangelizar!

Interceda por nós e nos inspire a Mãe de Deus, primeira catequista e padroeira de nossa Arquidiocese.

2020

 

Queridas(os) catequistas,

Desejamos, por meio do processo de Iniciação à Vida Cristã, renovar a vida de nossas comunidades. Para isso precisamos avançar no caminho assumido com decisão, coragem e criatividade. Sabemos que esse processo, fundamentado na Sagrada Escritura e na Liturgia, é capaz de educar para a escuta da Palavra, para a oração pessoal e para o compromisso comunitário e social. Por isso, não podemos nos deixar influenciar por quem ainda não se dispôs a seguir esse itinerário. Uma coisa deve inquietar e preocupar nossa consciência: a constatação de que há muitas pessoas “que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida” (Papa Francisco).

O caminho da Iniciação à Vida Cristã, que não se esgota na preparação aos sacramentos, é para nós como uma bússola, orientando as diversas iniciativas pastorais de nossa Arquidiocese. O que fazemos está marcado pela energia escondida do Evangelho, capaz de transformar a pessoa, de proporcionar autêntica alegria, enchendo o coração e a vida inteira de quem se encontra com Jesus.

 

Todos são convidados a renovar o encontro pessoal com Cristo e deixar-se encontrar por Ele. Esse encontro nos transforma, conduzindo-nos ao discipulado e engajando-nos na vida comunitária. Trata-se de uma experiência de fé que nos faz ir ao encontro de quem não está conosco, de quem se dispõe a ser iniciado na vida cristã.

 

Como Igreja sentimos o que significa o desafio de transmitir integralmente a fé no interior de uma cultura em rápidas e profundas transformações. “Uma fé autêntica comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois de nossa passagem por ela” (Papa Francisco).

 

Sabemos ainda que o método da Iniciação à Vida Cristã requer a reformulação da estrutura paroquial, catequética e litúrgica. Envolve toda a comunidade: presbítero, diácono, catequista, equipes de liturgia, caridade, famílias, todos sem exceções! Requer ousadia e coragem para abandonar o tradicionalismo e o comodismo, com suas práticas que não correspondem àquilo que o Evangelho do Crucificado-Ressuscitado espera de uma comunidade constituída de autênticos discípulos e discípulas. Esse é o modo para renovar nossas comunidades, nossas Paróquias! Isso implica a necessidade de formação permanente para todos, da construção de espaços de encontro, de visitas aos pais dos catequizandos, de preparação personalizada para a celebração do Batismo e de continuidade no itinerário iniciado.  

 

Reconhecemos e agradecemos a dedicação de vocês. Rezamos nas intenções de vocês. Pedimos que também rezem por nós. Nossa missão é única: evangelizar! Sabemos que a vida com Jesus se torna muito mais plena e, com Ele, é mais fácil encontrar o sentido para cada coisa.

Pedimos que Maria, a primeira catequista, guie e acompanhe nosso itinerário, para que possamos fazer tudo o que seu Filho nos disser!

2019

Prezado(a) catequista,

Vós sois as testemunhas destas coisas” (Lc 24, 48)

 

"Este é o caminho, avancem" (Papa Francisco). Esta foi a expressão usada pelo Papa Francisco quando, em 2015, soube do processo catequético iniciado em nossa Arquidiocese.

 

Com o empenho de tantos(as) catequistas estamos fazendo um caminho que já oferece sinais de esperança, onde a proposta foi assumida com coragem e determinação.

 

O processo de iniciação à vida cristã exige de todos decisão, coragem e criatividade. Trata-se de um caminho que promove a identidade dos discípulos e discípulas do Senhor, renova a vida comunitária e desperta seu caráter missionário.

 

Urge avançar para águas mais profundas. Não podemos nos sentir satisfeitos com os passos já realizados. Há uma multidão que não teve oportunidade de ouvir falar mais intimamente de Jesus Cristo. Há batizados que não tiveram a oportunidade de realizar uma experiência mais intensa de Jesus Cristo e seu Evangelho. É por isso que estamos propondo para o ano de 2019, a começar após a Solenidade de Pentecoste um itinerário discipular em primeiro lugar para as lideranças das comunidades, mas também para todas as pessoas que desejarem realizar um itinerário de formação para o discipulado.

 

O objetivo da vida cristã é a santidade. Neste contexto vale lembrar o que diz o Papa Francisco: "Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante.

 

Esta é muitas vezes a santidade «ao pé da porta», daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus, ou - por outras palavras - da «classe média da santidade» (...) ninguém se salva sozinho, como indivíduo isolado, mas Deus atrai-nos tendo em conta a complexa rede de relações interpessoais que se estabelecem na comunidade humana: Deus quis entrar numa dinâmica popular, na dinâmica dum povo" (Gaudete et Exsultate n. 6-7)).

 

Reconhecemos e agradecemos a resposta das(os) catequistas que responderam ao chamado do Senhor para trabalhar na sua vinha, especialmente junto a adolescentes e jovens. O desejo comum é que Jesus Cristo seja sempre mais conhecido e seu Evangelho chegue a todos.

Não tenhamos medo! Junto, em comunhão, continuemos em nossa missão de transmitir o Evangelho a todos, pois ele nos proporciona alegria; alegria que enche o coração e a vida inteira de quem se deixa encontrar por Jesus.

Pedimos a Maria, catequista da primeira hora, que nos inspire, guie e acompanhe em nossa missão, para que possamos sempre ouvir e fazer tudo o que o SENHOR e MESTRE nos disser!

 

Porto Alegre, 18 de março de 2019

2018

Prezado(a) catequista,

O processo da Iniciação à Vida Cristã, isto é, da transmissão da fé às novas gerações, avançou de modo significativo na Arquidiocese. O caminho realizado é expressão do empenho e dedicação de catequistas, lideranças, clero e consagrados. A todos que têm cooperado para que muitos possam participar da alegria que vem da fé, o nosso reconhecimento e gratidão.

 

Agradecemos o 'sim' de nossos (as) catequistas ao chamado do Senhor para trabalhar na sua vinha, testemunhando e promovendo a unidade. Embora atuando em diferentes realidades e respeitando suas características, desejosos(as) de sempre mais e melhor trabalhar para que o Evangelho chegar a todos. 

Continuemos avançando no caminho assumido por todos. O objetivo é formar discípulos de Jesus Cristo, vivendo e convivendo em Comunidade. Há um desafio sempre presente: fortalecer o senso de pertença e corresponsabilidade pela promoção da própria comunidade, segundo os critérios do Evangelho.

 

Sabemos que:
a alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Aqueles se deixam salvar por Ele são li­bertados do pecado, da tristeza, do vazio inte­rior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria (Papa Francisco).  

 

Por isso, nos engajamos neste trabalho da transmissão da fé, pois queremos levar outros, especialmente os adolescentes e jovens, a experimentar a alegria que o encontro com o Senhor e seu Evangelho proporciona.

 
Estamos vivendo o Ano do Laicato. A Igreja do Brasil convida os leigos a serem 'Sal da Terra e Luz do Mundo' (Mt 5, 13-14), como sujeitos na Igreja em saída, a serviço do Reino. Queremos, assim, animar nossos (as) catequistas para aprofundarem sua identidade, vocação, espiritualidade e missão, para testemunhar Jesus Cristo e seu Reino na sociedade'.

 

Há na Igreja diferentes dons e carismas. No entanto, todos têm a mesma dignidade, pois participam da filiação divina e são chamados a serem santos. A vocação universal à santidade é para todos. O mundo precisa de santos!
 

Pedimos que Maria, a grande catequista de todos (as) nós, guie e acompanhe nosso itinerário, para que possamos sempre ouvir e fazer tudo o que o MESTRE nos disser!

 

Porto Alegre, 11 de março de 2018.

2017

Prezado(a) catequista,

A Iniciação à Vida Cristã é um processo de transmissão da fé às novas gerações. É um caminho que envolve toda a comunidade, por meio do qual o catequizando progressivamente vai sendo conduzido no seguimento de Jesus Cristo. 


Nas comunidades onde se está implantando o processo da Iniciação à Vida Cristã, já se evidenciam alguns indícios positivos e belos. Outras ainda estão buscando as condições necessárias para assumirem esse processo. É importante dele se apropriar não como uma novidade qualquer, mas como caminho privilegiado para propor Jesus Cristo e seu Evangelho.

 

Na catequese, vamos apresentando aos que dela participam um caminho de vida. Trata-se certamente de um caminho relevante, pois tem como objetivo maior a união com Deus. Isso pressupõe permitir que Deus possa agir em nós e, ao mesmo tempo, corresponder ao seu amor.

 

A dedicação e o empenho de tantas (os) catequistas é sinal de que se acredita na proposta. Não podemos, todavia, cair na tentação de pensar que podemos atingir um número sem fim de adolescentes, jovens e adultos. Podemos, sim, proceder sempre e de novo de tal modo que seja o Espírito Santo a inspirar e orientar nosso empenho. A expressão “sempre e de novo” significa apresentar Jesus Cristo e seu Evangelho constante, reiterada, insistentemente e de forma atual.

 

No final do trabalho realizado, não somos nós que devemos brilhar, mas Deus e a sua graça. É Deus que age nos corações! Nós somos meros instrumentos da bondade e da misericórdia divinas. 

 

Jamais podemos esquecer o que Jesus quis, ou seja, discípulos que o seguissem, que vivessem como ele viveu, anunciando o Reino de Deus e sua justiça. Por isso, no centro de nossa catequese, deve sempre estar presente a pessoa de Jesus Cristo. 

Jesus Cristo pede de nós familiaridade com ele. Pede que permaneçamos no seu amor, que estejamos com ele, que o escutemos e aprendamos dele. Daí a necessidade de cultivar a intimidade com ele através da leitura de seu Evangelho, da oração, do silêncio. Tal intimidade nos conduz a sair de nós mesmos e ir ao encontro do outro. Quando saímos de nós mesmos, deixamos de ser o centro! Se colocamos Jesus Cristo no centro de nossa vida, então ele passa a orientar nossas iniciativas e decisões. Quando permitimos ao Senhor agir em nós, ele nos conduz por caminhos até então inimagináveis, pois sempre ultrapassa nossos esquemas e nossas estruturas.

 

Todos nós, que acreditamos nas palavras de vida eterna que Jesus propõe, não podemos nos deixar conduzir pelo medo ou pelo comodismo, nem pelo fechamento em nós mesmos ou pela rigidez excessiva.  

 

Nós cremos que a Palavra do Senhor é espírito e vida. Cremos que o Espírito Santo é capaz de fazer novas todas as coisas. Acreditamos que nosso povo tem sede de Deus! Por isso, nos empenhamos para, através da catequese, a todos propor o Evangelho de Jesus Cristo – ele “que andou por toda a parte fazendo o bem” (At 10,38) e que “fazia bem todas as coisas” (Mc 7,37).

 

As (os) catequistas tornam visível o Evangelho, despertam a atração por Jesus Cristo e pela beleza de Deus!
Que a Mãe de Deus, catecismo vivo e modelo de toda (o) catequista, interceda por todos os que se dispõem à missão de cooperar no anúncio do Evangelho a toda criatura. 

2016

Prezados Catequistas,

"Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e produzirdes fruto e para que vosso fruto permaneça" (Jo 15, 16)

 

Todos os grandes momentos de renovação da vida da Igreja, de manifestação da ação do Espírito Santo, estiveram relacionados com a catequese (CIC 8). A Arquidiocese de Porto Alegre está vivendo um momento de renovação. Este é um tempo propício para o anúncio do Evangelho. E você, meu irmão catequista, possui uma missão fundamental. Você é nosso cooperador direto no processo de renovação da vida paroquial porque foi o próprio Senhor quem o chamou.

Essa renovação brota de um encontro com uma pessoa concreta: Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho de Deus vivo, que, com sua vida, nos salvou e nos deixou um caminho de seguimento. Este caminho contido na Sagrada Escritura e na Tradição Apostólica que transformou a vida de milhares de pessoas ao longo da história, com certeza mudou a minha vida, e está transformando a sua. Este caminho pode encantar e transformar a muitas outras pessoas, enchendo-as de sentido, enchendo-as de vida e dando-lhes vida eterna.

Olhando para a vivacidade e o poder de atração das primeiras comunidades cristas, estamos bebendo nas fontes do cristianismo ao propormos um método de iniciação à vida cristã com inspiração catecumenal, que, centrado na leitura orante da Palavra de Deus, unindo Catequese e Liturgia, Palavra e símbolo, o visível e o invisível, quer conduzir às pessoas ao mistério Divino, a um encontro pessoal com o Senhor, porque cremos que Deus se deixa encontrar por aqueles que o procuram.

 

Nosso anúncio deve ser atrelado ao testemunho de vida. Assim estaremos proporcionando um caminho mistagógico, de introdução ao mistério da fé no Deus Uno e Trino. Caminho que "cristifique" as pessoas (T. Chardin), convertendo-as, transformando-as desde dentro, provocando a adesão do coração.

Meu irmão catequista, a partir de hoje, com este envio que abre nosso ano catequético, e desde que nos mantenhamos em comunhão: nós somos um, você é um conosco, e nós somos um contigo. E desejamos que, com o seu trabalho, cada catequizando se torne "um dos nossos, enxertado no corpo mistico de Cristo. Isso é comunhão eclesial: o que Jesus pedia ao Pai "que todos sejam um" (Jo 17, 21) para que o mundo creia. Um mesmo Espirito nos moverá e nos dará uma mesma Palavra e um mesmo coração (At 4, 32). Deste processo dependerá o surgimento de uma nova geração de discipulos missionários de Jesus Cristo, que com suas vidas atrairão o Reino de Deus para que se instaure um novo céu e uma nova terra (Ap 21,1).

 

Não estamos sozinhos, a grande mestra do caminho de seguimento, a Mãe de Deus e da Igreja, está conosco anos abençoar e motivar.

 

Catequistas, mestres no caminho da iniciação cristã, "ide e inflamai a Arquidiocese de Porto Alegre com o fogo do amor de Deus

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